Open Site Navigation
  • Facebook
  • YouTube
  • Instagram

Suzana Machamale ao escrever se sente “plena e livre”. Conheça a autora de “As Raízes do Rei”

A escritora Suzana Machamale, aos 30 anos de idade estrou-se em livro, com o romance “As Raízes do Rei” (Livro 1 da Tetralogia Príncipes Sangrentos), chancelado pela editora Kulera. Para conhecermos um pouco do percurso da escritora, fizemos oito perguntas que iniciam da sua infância, suas primeiras leituras e referências até ao seu projecto literário. Antes, porém, aconselhamos que visite a biografia da autora para que tudo faça sentido.





Como e quando você se descobriu escritora?


Sinceramente não sei. Acho que me descobri como escritora quando um meu amigo, que leu o primeiro livro da minha Tetralogia Príncipes Sangrentos, intitulado As Raízes do Rei, num dia parou na minha frente e disse: Suzana, tu tens de publicar este livro!

Depois, ele leu o livro 2 e 3 da mesma tetralogia e nunca parou de me dizer: Suzana, tu tens de publicar as tuas histórias!


Alguma coisa da sua infância terá ainda a despertado para esse caminho?


Eu gostava muito de ler. Ao mesmo tempo, minha cabeça sempre criou histórias. Quando eu assistia uma novela ou um filme, mentalmente, eu sempre colocava na história que estava a assistir, um outro personagem que andava para cima e para baixo com o protagonista. Depois, quando tinha cerca de 08 ou 09 anos, participei de um concurso alusivo ao dia 01 de Junho, Dia da Criança, publicado pelo jornal Diário de Moçambique, na Cidade da Beira. O concurso consistia em resolver palavras cruzadas, fazer um desenho e escrever uma história sobre os direitos da criança. Ganhei o segundo lugar. No final do ensino primário, passei a fazer bandas desenhadas em folhas de caderno e no ensino secundário, sob influência da telenovela Malhação, escrevia histórias em cadernos que comprava sozinha. No ensino superior, já no final da licenciatura, eu tinha tanto tempo disponível que, depois de ter lido tantos livros, decidi escrever as minhas histórias de um modo mais sério, mas a intenção era somente me divertir.


O que a motivou a escrever?


Não sei. Eu sempre tive um fraco pela escrita (e para o desenho), mas eu escrevia apenas para me divertir, para passar o tempo. Eu simplesmente dou por mim a escrever e ao escrever eu me encontro, me sinto eu, da forma mais pura possível. Me sinto plena, livre, eu.

 


“As Raízes do Rei”


Dois reinos, quatro cabeças, duas coroas. O carismático Ânjor e a ambiciosa Hanjy Karajevo são filhos da rainha de Taravín. Mas, por serem gémeos, só pelo voto do povo pode-se definir qual dos dois será o primeiro na linha de sucessão ao trono. A angelical Yasy e a perversa Yagui Dantaze são filhas do rei de Nunny, contudo, a mais velha é Yasy.

Por tradição, os nunnys casam-se apenas entre si, mas quando Ânjor e Yasy se apaixonam, Hanjy e Yagui vêem a oportunidade perfeita para camuflar suas verdadeiras intenções e tomá-los as coroas. Irão Ânjor e Yasy lutar pelo amor de suas vidas ou abrirão a mão dele em nome de seus povos? Até onde a ambição e a obsessão poderão levar Hanjy e Yagui?

Entre sorrisos falsos, traições e sangue, qual será o destino do amor de Ânjor e Yasy quando a ambição de suas irmãs derrubar o laço de sangue?

Eis a verdade:

“Isto não é um conto de fadas, isto é...

...o que a vida faz.”

E a vida de Ânjor Karajevo nunca mais será a mesma.

 

Quais foram os primeiros livros à que teve acesso?


Na casa dos meus avôs maternos tinha muitos livros, com histórias para crianças. Por causa disso, a minha mãe tinha alguns na nossa casa, como por exemplo: A Rainha Caprichosa, O Patinho Feio, de entre outros. Mas, de todos os livros que a minha mãe tinha, o meu favorito era um do qual não me recordo do título, mas tinha uma capa acastanhada, com histórias de uma jovem de nome Vassilissa. Eu adorava aqueles livros e eu nem sequer tinha 10 anos. Algumas vezes, a minha mãe contava histórias, no período da tarde, depois do almoço, para mim e minhas irmãs.

Também lia uns livros que o meu pai tinha. Eram livros da colecção "Biblioteca Básica Verbo – Livros RTP", nomeadamente: Segredos da Vida mental, de José Luis Pinillos; O Mundo em Números, de Artur Parreira; Passaporte para o Futuro, de Luis Miravitlles; e As Fronteiras do Possível, de Jacques Bergier. Além destes, também lia alguns romances, que o meu pai também tinha, um deles não me recordo nem do título e nem do autor, mas falava de um homem das neves. Também lia muito as bandas desenhas do Tio Patinhas e Turma da Mônica e as revistas Maria. Também gostava de ler os livros da escola de uma das minhas irmãs mais velhas, principalmente os de Geográfia, História e Filosofia.


Quais são as suas influências, referências e inspirações literárias?


Adoro a C.S.Pacat, deve ser a minha autora favorita. Outros autores que também gosto e me inspiram são a Jennifer A. Nielsen, Raymond E.Feist, Victória Aveyard, Marie Lu e Genna Showalter etc. Autores que escrevem histórias que retratam a idade média, em terras fictícias, isto é, livros de Fantasia, são os que geralmente me fascinam. Histórias com um toque sombrio também chamam a minha atenção.


Como funciona o seu processo criativo? E o que influencia nele?


Geralmente, quando dou por mim, já estou em um mundo que não conheço, então dou-lhe um nome. Personagens, do nada, ganham vida na minha cabeça. Eu vejo a cor dos olhos deles, a cor e tipo de cabelos, a cor da pele, os trajes, escuto as vozes deles e etc. Eles se tornam tão reais para mim que eu acabo dando-lhes nome e sobrenome. Eu vejo-os a caminhar, a falar, a rir, a encarar, a lutar (nos mais diversos sentidos da palavra). Eu sinto tudo o que eles sentem: suas alegrias, medos, angústias, suas dores, sua ira,etc. Eu sinto cada sonho deles, cada pedaço deles. Não consigo esquecê-los. Então, na minha cabeça, cria-se primeiro o início e o fim da história da qual eles fazem parte. Com isso, aparecem os pedaços que compõem o desenvolvimento, mas eles aparecem de modo disperso. Eu pego nesses pedaços, desenvolvo-os, que é para poder liga-los. Uno-os ao início e ao fim que havia criado e a história sai. No processo, confesso, passo por aquilo que chamam de “bloqueio do escritor” e não são poucas vezes que isso acontece.

Quando fico com o bloqueio, eu deixo de escrever, porque quando me esforço demais a história ou não sai ou sai de um jeito que não me convence. Por isso eu deixo de escrever, dou-me este intervalo. Ocupo o meu tempo com outras coisas, até que do nada, por causa de alguma coisa que me acontece, ou que presencio, ou até mesmo uma música que escuto, despoleta-se uma onda de ideias, então eu passo horas e horas a escrever, sem me dar conta do tempo passar. O momento de escrita, para mim, é um momento em que eu tenho de me divertir e não sofrer, por isso que, quando não estou inspirada, quando estou com a mente bloqueada, eu não tenho problema nenhum em me dar um tempo.


Quais são seus projectos actuais no campo da arte?


Neste momento estou a terminar o livro 4 da Tetralogia Príncipes Sangrentos. Tenho também uma Duologia que preciso terminar e já comecei a escrever uma outra história, que de momento não sei se será um só livro ou se irá se transformar em uma saga. Fora a estes, tenho outras tantas histórias no meu computador que, se eu tiver tempo, posso terminar um dia.


Em o quê você acredita na literatura?


Na literatura eu acredito que podemos ser livres, ser o que quisermos, inventarmo-nos e reinventarmo-nos. Com a literatura, viajamos sem sair do lugar, porque a nossa mente pode nos levar a lugares incríveis, alguns sombrios, mas ainda assim fascinantes. Com a literatura, temos a chance de tornamo-nos empáticos, porque através dela, tanto quem escreve como quem lê, tem a oportunidade de encarnar vários papéis: de homens, de mulheres, crianças, idosos, negros, brancos, albinos, governantes, plebeus etc. A literatura torna-nos humanos melhores, seres livres e empáticos.

134 visualizações0 comentário