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“No Verso da Cicatriz” desafia as crenças e as espectativas do leitor”, defende Francisco Noa

Atualizado: 7 de dez. de 2021

O professor e ensaísta, Francisco Noa, defende que o romance de Bento Baloi é mais do que uma história sobre a guerra. “Trata-se de uma história de usurpação identitária e existencial e do que há de mais íntimo e precioso na condição humana, a dignidade”. Bento Baloi apresentou “No Verso da Cicatriz” em cerimónia, ontem, na Fortaleza de Maputo.


“Estamos diante do Verso da Cicatriz onde parece que a ferida não sarou” - Francisco Noa


Diz Francisco Noa que o efeito catártico do que é narrado no livro “No Verso da Cicatriz” se impõe de “forma inapelável, e são inevitáveis associações da perspectiva aristotélica de que o terror e a piedade são suscitados por aquilo que nos é mostrado”.

“Começando pelo título passando pela viés realista da narração dos acontecimentos, da discrição dos lugares, do tempo e dos objectovs mas sobretudo das personagens, quase todas elas erráticas e com uma aura trágica a envolve-las. Este é um romance que desafia não só as crenças e o horizonte das espectaivas do leitor, mas a sua sensibilidade e a sua estabilidade emocional. O leitor tem de estar preparado muito bem emocionalmente para ler este romance até o fim sem interrupção”.

Defende o ensaísta que “No Verso da Cicatriz”, enquanto “temerário e tremendo resgate da memória colectiva é um causticante libelo contra o esquecimento que atinge muitas vezes uma dimensão que vai para além do imoral”.

O livro de Bento Baloi que chama-nos à memória, numa sociedade contemporânea de esquecimentos, onde o materialismo leva-nos a não reservar um espaço aos maiores acontecimentos, ao detalhe.

“No Verso da Cicatriz”, analisa Francisco Noa, tem uma dimensão visual que torna os detalhes perturbadores e impactantes pela violência das situações vividas no tempo em que se situa a narrativa, 1974 a 1992, a guerra civil em Moçambique.


“Esta é porém muito mais do que uma história de guerra. Trata-se de uma história de usurpação identitária e existencial e do que há de mais íntimo e precioso na condição humana, a dignidade”, analisa Noa.

E, concluindo, mas não fechando outras possíveis leituras, dada a natureza da obra, entende que “estamos diante do Verso da Cicatriz onde parece que a ferida não sarou”.

O evento de lançamento de “No Verso da Cicatriz” também serviu para se revisitar um outro livro publicado por Bento Baloi neste ano, a “Arca de Não É”, conjunto de crónicas que tiveram inspiração no destre causado pelo ciclone Idai, na região Centro de Moçambique, com a leitura do texto “A Bolsa” pela actriz Maria Pinto de Sá.

De resto, os dois livros continuam disponíveis nas livrarias do país e em Portugal.



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