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Armando Artur: “O escritor é uma linha de continuidade”

O poeta Armando Artur é entrevistado pelo jornalista Lucas Muaga para falar de uma importante obra da sua carreira publicada nos finais de 2020, “Muery: Elegia em Si Maior”. Na entrevista publicada esta semana na LITERATAS o autor desvenda o que está por detrás da poesia de “nostalgia” e de “saudade”, revelando que a essência da obra está na homenagem à sua falecida filha.

Passamos aqui algumas perguntas que levaram Armando Artur a fazer autênticas revelações não só sobre a obra editada pela Cavalo do Mar, mas sobre o seu processo criativo.


Lucas Muaga: Por que exactamente Muéry?

Armando Artur: Muéry é um termo nosso da Zambézia, que significa “mês” em Elomué e em Echuabo. Significa “lua” ou “mês”. A história contada no livro, que é de um artista plástico que desenha um retrato feminino que ganha vida e torna-se independente, transcende à categoria de deusa e dá o nome, justamente, de Muéry, que significa “lua” e “mês” e que no imaginário africano significa muita coisa. A lua para nós africanos significa transcendência e muito mais.


LM: Diz que a Muery tem feições de mês de Julho. Por que foca-se neste mês, Julho?

AA: O livro é em memória da minha filha que perdeu a vida aos cinco anos de idade e ela nasceu justamente no mês de Julho, portanto, toda esta história está intimamente ligada ao nascimento, à vida e à morte da minha filha, mas a estória é contada numa tela, como quem faz nascer a sua filha numa tela e a figura da tela ganha vida e passa a ser deusa para quem a pintou, o artista plástico que a desenhou. É uma história contada numa transposição de uma realidade para uma tela.


LM: Um livro sobre a saudade e nostalgia…

AA: Exactamente! Quando for a ler o livro, vai encontrar justamente muita nostalgia e dor. Mas há também muita alegria por o artista ter conseguido criar uma vida pelas próprias mãos que, nalgum momento, deu-lhe alegria e esperança, mas, como tudo neste mundo, nasce, cresce e morre. Não é por acaso que é “Muéry: elegia em si maior”. Elegia é todo aquele poema triste, que rememora um acontecimento triste, um ente querido falecido. “Em si maior” – “si” é uma nota musical, é uma elegia cantada em si maior.


LM: Há umas frases inquietantes no teu texto, onde, por exemplo, afirma, “há sempre uma razão para a existência” e logo de seguida, “não ser cansa e magoa”…

AA: Já é uma abordagem filosófica sobre a vida e a existência. Digo a dado passo que o “não ser cansa e magoa” e, se calhar, é por essa razão que, dialecticamente falando, o não ser origina o ser. O ser nasce justamente do não ser, portanto, na minha interpretação filosófica, tudo quanto existe e vive, você próprio por exemplo. Você antes não era, agora é. Mas por que é? Porque cansou-se de não ser (risos). É nesta perspectiva, um livro enigmático e filosófico.


Leia a entrevista na íntegra publicada na revista LITETATAS.

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